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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

[Mangá] Hallucination From The Womb


"Vou lhes contar agora sobre a cidade que um dia existiu. Uma cidade cuja própria existência agora foi esquecida. Uma cidade que imprudentemente se ergueu cada vez mais para o alto. Por um propósito desconhecido e uma razão incerta essa cidade se dedicou exclusivamente ao desenvolvimento. Os restos dos sonhos daquela cidade... A história de um homem tão obcecado por sua esposa que tentou possuir até o passado dela. A história de uma garota que era grata a um homem que salvou sua vida, mesmo que fosse por mais três anos. A história de um homem que só conseguiu dizer à sua esposa o que ele queria que ela soubesse após a morte. A história de um garoto cuja busca por uma poção do amor o levou a duvidar de seus verdadeiros sentimentos. A história de um homem que amava algo sobrenatural. A história de um homem que estava apenas interessado em garotas que não podia tocar. Essa é a história deles."


Kakutoshi no Yume, também conhecido como Hallucination from the Womb, é uma coletânea de histórias melancólicas ambientadas num mundo sci-fi decadente. Escrito e desenhado por Mohiro Kitoh (Bokurano), o mangá de volume único contém sete episódios independentes e com temáticas diferentes, alguns com teor mais fantástico, outros mais filosóficos. O único ponto em comum é o local: a Shell City, uma cidade feia, velha, superpovoada e opressiva. Além disso, todas as tramas são acompanhadas por dois policiais, com papéis mais de expectadores que de protagonistas.


Não posso contar muito sobre as histórias, já que, pelo seu tamanho curto, um spoiler seria dado com muita facilidade (e acredite, a surpresa é importante nesse caso). Mas farei um panorama de cada uma. Caixão de aniversário mostra a que ponto o amor e a solidão são capazes de levar alguém. O Deus de três anos é chocante, para dizer o mínimo. Leia por sua conta e risco. Aqui vemos novamente uma pessoa capaz de fazer coisas doentias por causa da solidão. Esse, na verdade, é o tema mais presente nas histórias. A população de Shell City sofre de uma solidão cruel e esmagadora. A voz de um morto-vivo toca nas mesmas questões apresentadas, mas pela primeira (e única) vez de uma forma até, digamos, fofa. É a mais romântica. O gosto de uma poção do amor tem um tom mais erótico e misterioso, flertando com lendas e sociedades secretas. A marca do Zashiki-Warashi traz uma releitura de uma lenda tradicional japonesa sobre um espírito de uma criança que habita quartos. A gaiola do Criador é foda, sem mas. O melhor da coletânea com folga, traz questionamentos filosóficos e sociais bem instigantes. O amor de um Shouryoushi estabelece uma conexão entre os personagens dos contos e revela um pouco mais sobre a decadente sociedade em que vivem.



As histórias de Kakutoshi no Yume têm um clima bem sombrio e apático, mas que carregam reflexões e significados próprios. É meio difícil explicar, é algo bem interpretativo. Mas as vejo como retratos da solidão, carência e vazio humanos. Não é um mangá muito divertido, admito. Não há lutas ou comédia, e mesmo as cenas de sexo são um tanto perturbadoras por chegarem bem perto da pedofilia (lolicon). A arte é bem simples, os personagens têm um visual bem pouco marcante (esse inclusive é a maior crítica nos trabalhos de Kitoh). No entanto, destaco as expressões dos personagens. Sem apelar para os exageros caricaturais comuns na estética dos mangás, Kitoh transmite com realismo o vazio e a melancolia. Se você está a fim de ler algo curto, adulto, que te faça pensar e tem estômago para cenas de sexo envolvendo meninas jovens, recomendo a leitura de Kakutoshi no Yume.

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