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quarta-feira, 11 de março de 2015

[Review] The Witcher 2: Assassins of Kings


No começo desse ano, a abençoada Live Gold me deu a oportunidade de pôr minhas mãos em um jogo que tinha despertado minha curiosidade por ser voltado a um público adulto e mais maduro: The Witcher 2: Assassins of Kings. E confesso que isso era tudo que sabia sobre o game, não tinha muitas informações sobre gameplay ou algo do tipo. Quer dizer, sabia também que The Witcher 3 estava por vir e muitos donos de um PS4 estavam ansiosos para entrar no mundo do amnésico Geralt pela primeira vez. Mas será que temos motivos para esperar um épico ou caímos novamente no hype? Leia abaixo uma review do segundo título dessa série.




The Witcher 2: Assassins of Kings é um RPG com toques de hack and slash lançado para PC e Xbox 360 em 2011. Ao contrário do usual no mundo dos games, The Witcher não é uma adaptação de um filme ou animação, mas sim de uma série de livros do polonês Andrzej Sapkowski (amo esses nomes europeus, parecem que foram digitados por aquele seu amigo bêbado que lhe manda mensagem de madrugada para falar que a festa tá boa), a qual inclusive já foi publicada no Brasil pela Editora Martins Fontes. Eu tive nenhum contato com os livros, mas pelo que comentam eles são coletâneas de contos sobre as altas aventuras do bruxeiro Geraldo. Ou seja, vemos aqui uma história realmente mais elaborada? Vamos por partes.

História



Como é deixado claro pelo título, a trama de The Witcher 2 gira em torno de um grupo de regicidas Jamie Lanister curtiu isso que está tocando terror no mundo do jogo. E se você conhece um mínimo de história, política ou tem uma capacidade de imaginação básica, deve saber que quando um rei morre seu reino vira uma bagunça. Intrigas, jogos de poder, traições, tudo isso entra nesse enredo onde ninguém é confiável e nada é o que parece. E como nosso amigo Geralt de Rivia entra nisso? O sempre inconveniente “lugar errado na hora errada”. Acusado injustamente, Geraldo precisa descobrir quem é o responsável pela série de assassinatos e limpar seu nome no processo.


Já deve ser óbvio, mas caso não seja: The Witcher 2 segue uma narrativa bem política. São vários nobres, famílias reais, reinos, todos disputando quem é o mais poderoso. Ou seja, se você quer fugir das tramas emotivas típicas dos JRPGs e busca algo maduro, aqui está um prato cheio. Porém, aqui jaz um dos maiores problemas do enredo: excesso de informações, principalmente para quem não jogou o game anterior.


Você tem um mundo inteiro e complexo, junto com os eventos do primeiro TW, que lhe é jogado sem muita orientação. Sim, há textos explicando os acontecimentos e elementos do Universo, mas convenhamos que essa não é a melhor forma de te envolver num mundo, não é mesmo? Com isso, há vários momentos em que boiamos nos diálogos por não sabermos quem é fulano ou o que aconteceu em tal lugar. Por isso, é recomendado ter um conhecimento prévio da narrativa antes de jogar. Isso não é algo que prejudica consideravelmente a experiência, mas incomoda.


Um dos destaques vai para o próprio Geralt. Mas antes, vale falar mais sobre os witchers, mutantes criados por magos para que eles possuam capacidades físicas maiores, possam beber poções (fatais para humanos comuns) e usem magias. Um witcher vive realizando trabalhos para estabelecer a ordem entre os demais seres do mundo do game (claro, tudo por pagamento). Ou seja, Geraldão não é um herói, mas também não é um mercenário. Ele segue um código de ética, busca não interferir em assuntos políticos, evita cometer abusos ou injustiças… E nisso entra um dos seus charmes. Ele é real – um homem simples, humilde mesmo que poderoso e que quer apenas encontrar paz de espírito e descobrir mais sobre si mesmo.


Outro ponto a favor do enredo é a liberdade para tomar escolhas – e enfrentar as muitas vezes duras consequências. Sim, duras. Não há branco e preto, paragon e renegade, no mundo de The Witcher. Nada é o que parece, poucos são dignos de confiança e muitos são os que sofrem com qualquer rumo que a história siga. Falando em rumos, no final do primeiro capítulo o jogador pode decidir se aliar entre dois personagens, o que muda completamente o andamento dos dois capítulos seguintes. Não só isso, mas também suas escolhas podem levar a 16 finais diferentes. Ou seja, há um incentivo para o replay enorme.

Jogabilidade




Curte um RPG bem completo, com sidequests, itens, customização e tudo mais? Pois fique feliz, pois The Witcher 2 abraça de fato as bases do gênero. Geralt luta com duas espadas, uma de prata e outra de aço, sendo a primeira mais efetiva ao lutar contra monstros e a segunda com humanoides (humanos, elfos e duendes). Ao lutar, você deve segurar o LT para mirar em um dos inimigos e atacar com o A e o X, sendo um para ataques fortes e outro para fracos.


São cinco as magias disponíveis (chamadas Sign no jogo): Aard, uma onda telecinética, Yrden, uma armadilha posta no chão, Igni, um jato de chamas, Quen, um escudo protetor, e Axii, que faz com que um dos inimigos mude de lado por um tempo. Além disso, há os itens que podem ser utilizados nas batalhas: bombas, facas e armadilhas, todas com efeitos diversos.


O jogador também pode pôr óleos nas lâminas, dando-lhes efeitos diversos, e beber poções que modificam seus traços, como a regeneração de Vitalidade e a resistência a envenenamento. Ainda há um sistema de esquiva (importantíssimo, por sinal), defesa e contra-ataque. Fora dos combates ainda há lojas, forjas, alquimia e até livros que aumentam os conhecimentos. Ou seja, temos aqui uma jogabilidade bem completa e que vai agradar os fãs mais exigentes


Apesar disso, os combates sofrem um pouco com o sistema de mira pouco prático. Muitas vezes acontece de você ficar mudando de alvo e não conseguir atacar o inimigo desejado. O esquema de duas espadas também foge da praticidade. Ao aparecer um inimigo, Geralt saca a espada mais adequada à situação automaticamente. No entanto, ele muitas vezes demora a executar essa ação, deixando-lhe vulnerável aos ataques. Há a possibilidade de você mesmo realizar essa ação apertando os direcionais, porém há a possibilidade de confundir as espadas e só perceber o erro após apanhar. Para completar, há alguns bugs que impedem o progresso das missões.

Visual



The Witcher 2 é simplesmente lindo! Não há como negar. Os cenários são diversos e vivos, dando muitas vezes vontade de parar apenas para observar o mundo criado pela CD Projekt RED, desenvolvedora do título. Mas o destaque vai para os personagens. Ricos, detalhados e com uma direção de arte belíssima, os figurinos do game dão um verdadeiro show. São várias as cores, texturas, materiais, tecidos e ornamentos compondo os personagens. Geralt mesmo pode utilizar várias armaduras, calças, botas e luvas e ainda mudar o penteado durante a jornada, Enquanto os reis mostram-se realmente régios, a população mostra-se humilde, mas bem construída.


É uma verdadeira pena que toda essa beleza seja quase quebrada por bugs e um carregamento de texturas lentíssimo. É comum ocorrer problemas como personagens aparecerem do nada (ou até mesmo aparecerem em parcelas, com a cabeça ou membros do corpo faltando) ou estarem em locares onde não deveriam (ou fazendo coisas que não deveriam, como urinar enquanto participa de um cutscene). É uma pena um jogo tão detalhista ter erros tão grosseiros. Seria compreensível se ele fosse em mundo aberto, onde é comum esse tipo de situação. Mas aqui parece mais um amadorismo dos desenvolvedores.

Áudio



No departamento de áudio, o game é bem competente. As músicas, orquestradas, transmitem bem as emoções de cada situação. Não chegam a realmente marcar o jogador, mas são bem produzidas. A dublagem também mantém-se em um bom nível, apesar de algumas falas de personagens secundários serem “estranhas”. Geralt tem uma voz firme, ainda que calma e baixa, algo que gosto bastante (odeio personagens barulhentos).

Um jogo maduro?



Antes de concluir o texto vale um parágrafo para falar sobre todo o marketing em torno da maturidade do game e seu direcionamento ao público adulto. Certo, a história é de fato adulta. As questões políticas são complexas, não há heroísmo e há a abordagem de temas como estupro, racismo, suicídio e por aí vai. Porém, essa maturidade desce pelo ralo quando o assunto é sexo (um dos pontos inclusive mais destacados pela equipe de desenvolvimento). Para a CD Projekt RED, tratar sexo com maturidade é inserir prostitutas que acrescentam nada à narrativa, é expor mulheres completamente nuas mas não mostrar sequer meia nádega do homem com quem elas transam… Ou seja, é apenas pôr um holofote na nudez e sensualidade feminina. Entendam, não é que eu faça questão de Geralt aparecer pelado e tudo o mais. O problema é disseminar uma propaganda de maturidade quando na verdade só há apelação sexual digna da mentalidade de um adolescente virgem. É bizarro Geralt transar de calça comprida. Pagar prostitutas para 30 segundos de mulheres gemendo de quatro não transmite nada a não ser fanservice. Podem achar um mimimi, mas se é para ser adulto seja adulto de fato.

Conclusão




The Witcher 2: Assassins of Kings é um ótimo jogo e que agrada em cheio os fãs de RPG. Com uma trama madura, liberdade de escolhas, direção de arte belíssima e jogabilidade detalhista, o game é um dos melhores jogos do gênero na geração passada e dá motivos para crer que The Witcher 3 estará entre os melhores do ano. Só espera-se que a CD Projekt RED dê mais atenção aos bugs e redefina seus conceitos de maturidade, principalmente no âmbito sexual.

Prós:
  • História madura;
  • Liberdade de escolhas;
  • Jogabilidade detalhista;
  • Direção de arte belíssima;
  • Protagonista carismático;
  • Alto fator de replay;
  • Customização.

Contras:
  • Bugs;
  • Sexismo
  • E mais bugs.

Nota final: 9,0

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